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103 ANOS

19 Ago

103 ANOS

Por Heitor Rodrigues Freire – membro do Conselho de Administração e vice-presidente da ABCG - Santa Casa.

 

Neste 17 de agosto, a Santa Casa de Campo Grande completou 103 anos desde o início da arrecadação de recursos para sua criação. É a instituição mais antiga do nosso Estado, e presta inestimáveis serviços em benefício da nossa população.

 

A caminhada não tem sido fácil. Muitos obstáculos continuam sendo vencidos desde a sua fundação. É uma lástima a falta de sensibilidade dos administradores públicos para com a necessidade maior do nosso povo.

 

A Santa Casa conseguiu unir duas instituições que se antagonizaram no tempo e na história: A Maçonaria e a Igreja Católica. Concebida e fundada por cidadãos, na maioria maçons católicos, os idealizadores encontraram na Igreja a parceira ideal que possibilitou o seu funcionamento por meio da participação das Irmãs Salesianas. Elas, com grande dedicação, representaram por mais de cinquenta anos o esteio que possibilitou um inestimável trabalho de acolhimento e cuidados aos pacientes.

 

A construção da Santa Casa foi edificada sobre os ombros de três gigantes: Eduardo Santos Pereira, Arthur d’Ávila Filho e Esacheu Cipriano Nascimento. Entre eles, Eduardo foi o grande idealizador da empreitada. Arthur, o visionário que soube, nos idos dos anos 70, projetar e construir um portento com mais de 40 mil metros quadrados, captando recursos para uma obra de grande ambição: um hospital com 750 leitos.

 

Para se ter ideia da grandeza do empreendimento, basta constatar que naquela época Campo Grande tinha apenas 80 mil habitantes. Ou seja, havia leitos para 1% da população, o que equivaleria hoje a um hospital com 9 mil leitos. Doutor Arthur dirigiu o hospital por mais de 16 anos, e tornou-se seu presidente mais longevo.

 

Portador de uma fé inquebrantável, ele sempre dizia: “Deus tudo provê”. Assim foi, por exemplo, quando em 1982 chegou-se a um colapso porque não havia dinheiro para pagar funcionários, médicos e fornecedores, com credores batendo à porta fazendo ameaça de processos etc. E doutor Arthur repetia sempre o seu jargão de fé.  O desespero era grande, quando, certa vez, durante uma reunião dramática do Conselho, que já não sabia mais o que fazer, eis que entra pela porta a dona Maria Aparecida Pedrossian – então primeira dama do estado –, que disse: “Doutor Arthur, trago um cheque no valor de 3 milhões que o Pedro mandou para a Santa Casa”, esse valor sanava todas as dificuldades financeiras daquele momento. Doutor Arthur prestou-lhe uma reverência e disse: “Dona Aparecida, a senhora salvou a Santa Casa”. E ela respondeu: “Não senhor, quem salva a Santa Casa é o senhor e a sua diretoria, que aqui trabalham sem parar pela saúde da população”.

 

Coube a Esacheu Nascimento a reconstrução do hospital quando, na Justiça, conseguiu a devolução da entidade a seus verdadeiros donos: A Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande. Foi uma batalha judicial por mais de 8 anos, quando a Santa Casa foi invadida ilegalmente pelo poder público, tendo o seu patrimônio totalmente depredado, suas instalações danificadas e seu corpo de funcionários desmotivado.

 

Não foi fácil, mas foi feito. Recuperou-se a infraestrutura, remodelou-se todo o seu entorno, terminou-se a unidade do trauma (construção com repetidas interrupções por mais de 20 anos), construiu-se o prédio administrativo e a moderna unidade de oncologia, aparelhando o hospital, elevando-o a um patamar de excelência tanto nas instalações quanto no atendimento. Nestes últimos quatro anos, a Santa Casa implantou cirurgias cerebrais as mais complexas e também transplantes cardíacos, renais, de córnea e outros, com tudo pronto também para o transplante de medula.

 

Muitos maçons exerceram a presidência da Santa Casa e participaram de seu conselho de administração. Entre os presidentes, posso citar de memória Walter Rodrigues, que fora Grão-Mestre do Grande Oriente de Mato Grosso do Sul, Sinval Martins de Araújo, presidente por dois mandatos, Esacheu Cipriano Nascimento, eleito por cinco vezes presidente (duas no período de intervenção apenas para representação jurídica da instituição) e o atual, Heber Xavier, também ex-Grão-Mestre daquela potência maçônica.

 

Heber Xavier assumiu logo que foi deflagrada a disseminação da Covid-19, e já demonstrou estar à altura de seus predecessores, pois assumiu com muita coragem e disposição os destinos da Santa Casa.

 

E ao longo desses 103 anos a Igreja Católica permaneceu presente e atuante. Posso citar também a atuação significativa de Dom Vitório Pavanello, arcebispo emérito, que por mais de 50 anos colaborou ativamente, fazendo-se presente em todos os momentos históricos, emprestando sempre a sua solidariedade fraterna.

 

Esta é uma história que enche de orgulho todos os seus associados, diretores, conselheiros, funcionários, médicos e enfermeiros, unidos na luta para cumprir o destino grandioso e divino da Santa Casa: salvar vidas.

 

Vida longa à nossa Santa Casa de Misericórdia.