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Especialistas advertem para o perigo nos banhos de rios e piscinas no verão

17 Jan

Especialistas advertem para o perigo nos banhos de rios e piscinas no verão

Os acidentes causados por saltos contra obstáculos em balneários, piscinas, rios e outros, constituem a segunda maior causa de lesões medulares no país durante os verões. O aumento significativo nos casos é percebido por bombeiros e também pelos hospitais, que recebem as vítimas dos traumas para tratamento. As causas para o aumento das ocorrências no verão são justamente a maior procura por esses locais de lazer nesta época.

 

O médico neurocirurgião da Santa Casa de Campo Grande Dr. Felipe Guardini explica que a maioria dos casos ocorre por conta de momentos de descuido durante a diversão ou por embriaguez. Segundo ele, normalmente a pessoa não tem consciência da existência do obstáculo antes do momento do impacto, o que piora as lesões, pois o choque ocorre sem nenhuma reação de prevenção por parte da vítima.

 

Quanto ao resultado, o especialista esclarece que podem ser os mais variados, desde contusões leves até fratura vertebral e esmagamento medular. “Nos casos mais brandos o paciente recebe alta rapidamente; nos mais sérios pode ter uma tetraplegia, comprometendo até movimentos espontâneos como batimentos cardíacos, por exemplo.”

 

A medida mais eficiente para evitar esse tipo de acidente é não saltar, e caso o faça, evitar fazê-lo sem antes entrar na água calmamente e ter certeza de que a profundidade comporta o salto que se pretende fazer. A água trai nossa noção de dimensão, portanto não se deve confiar na impressão de profundidade, mesmo em águas cristalinas. Não se deve confiar em locais tidos como “conhecidos”, principalmente no caso dos rios, pois a cada chuva os bancos de areia mudam de lugar, alterando completamente a geografia do fundo do leito.

 

Saltos de locais altos também devem ser evitados pois provocam um ingresso mais violento do corpo na água. Quando for mergulhar, escolha um ângulo mais paralelo à superfície, pois uma barrigada na água é infinitamente melhor que uma cabeçada no fundo. Também não se deve consumir drogas e álcool nesses locais, nem brincar de empurrar pessoas para dentro da água.

 

Um segundo muda a vida

 

Lindomar Rodrigues Félix é morador de Campo Grande e nos últimos 30 anos viajou à cidade de Rio Verde de Mato Grosso frequentemente para visitar os parentes e, estando lá, ia ao rio de mesmo nome para combater o calor e se divertir um pouco. Ele é pintor de residências e criava sozinho uma filha de 9 anos desde que ela tinha apenas 1 “aninho”.

 

Tudo corria na mais completa normalidade até que no feriado de Finados, em novembro de 2015, Lindomar foi à cidade de Rio Verde como sempre fez e resolveu ir ao rio com alguns amigos. Ao fim de um dia agradável de muito churrasco à beira do rio, os pertences já guardados para ir embora e aí surgiu a proposta: “Vamos dar o último pulo antes de irmos”! Foi a sentença que determinou todo o futuro de Lindomar e, possivelmente, de sua filha, sua mãe e demais familiares.

 

Lindomar corria em direção ao rio quando escorregou ao chegar à margem. Tarde demais para voltar, seu corpo já havia sido lançado em direção à água. Por conta do escorregão a direção do salto foi alterada e Lindomar chocou-se de cabeça contra as pedras em água rasa. Recolhido pelos amigos, uma possível “segunda tragédia” chocou-se contra seu destino. Por conta da desinformação e da falta de condições adequadas de socorro, Lindomar foi transportado por quilômetros na carroceria de uma caminhonete sem colar cervical, ou qualquer outro equipamento de estabilização do ferimento.

 

Um ferimento considerável na cabeça e a perda dos movimentos dos membros superiores e inferiores por conta de uma lesão medular severa. A vértebra denominada C5 foi fraturada e ocorreu um deslizamento entre esta e a C4, causando a lesão medular e interrompendo ali a comunicação do Sistema Nervoso Central com a maior parte do corpo, resultando na tetraplegia.

 

De retorno à Santa Casa por conta de convulsões, Lindomar deixa um recado aos praticantes dos rios de fim de semana. “Não interessa se conhece o local, eu conhecia aquele havia 30 anos, tome banho com muito cuidado sem saltos de ponta”, aconselha.