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Quando o coração fala mais alto

28 Jul

Quando o coração fala mais alto

Dona Cleonice Maria Xavier, 51, moradora da zona rural de Ivinhema, sonhava constantemente em conhecer a família do doador do coração que lhe devolveu a vida em 2013. O transplante do órgão aconteceu na Santa Casa após dez anos de tratamento e três meses na fila de espera, “eu já estava morta”, diz ela.

 

Angustiada com o desejo, dona Cleonice procurou ajuda na Santa Casa para realizar seu sonho, todavia por questões éticas a instituição hospitalar não pode intermediar este contato direto, afinal, este encontro pode não ser desejado pela família do doador. Foi aí que a comunicação social do hospital sugeriu que ela contasse sua história em um jornal, para assim, dar à outra família a oportunidade de escolher se queria ou não conhece-la.

 

Assim foi feito e na entrevista dona Cleonice relatou a aparência da pessoa que lhe vinha aos sonhos na figura do doador. Do outro lado de uma tela de computador, Nelly Kelly Bandeira, 24, irmã do doador, lia e chorava ao perceber na descrição a exata aparência do “mano” perdido abruptamente para um violento aneurisma cerebral. Para as duas famílias tratava-se do coração de Ely Rafael Bandeira de Souza, que morreu aos 16 anos, e que falava ao cérebro quem ele era.

 

A Santa Casa organizou o encontro na tarde desta quarta-feira (27) com todos os desejos de Cleonice. Além da família, ela pediu a presença de profissionais do hospital, em especial do médico que a transplantou, Dr. Claudio Albernaz Cesar, cirurugião cardiovascular. Entre lágrimas que pululavam de tantos olhos, chamava à atenção a concentração de Cleonice do álbum de fotos da família. Enfim, ela realizava o seu desejo de conhecer a família e via a imagem de quem lhe concedeu a segunda chance.

 

Nelly, a irmã, deixou claro a todos o quão acertada foi a opção de doar. “Hoje tenho certeza de que fizemos não só o melhor, mas também o que mais agradaria meu irmão”. Ela contou que Ely era uma pessoa muito humana e que sempre se preocupava com os outros. “Éramos muito apegados e este coração também é um pedaço meu”, disse.

 

Ao ser interpelada dona Cleonice respondeu que a imagem já lhe era familiar, e foi mais longe separando uma das fotos, “ele surgia nos meus sonhos nesta exata posição”. Foram duas horas de apresentações, abraços, relatos e, como diziam todos “de composição de uma nova família” unida pelo coração que agradecia através da receptora pela solidariedade dos familiares que, mesmo no momento de dor, vislumbraram a possibilidade de dar a alguém o que irremediavelmente perdiam. A VIDA.